PRESENÇA ESPANHOLA NO POVOAMENTO DE CURITIBA
Durante 60 anos, o Brasil foi governado por reis espanhóis:
Felipe II 1580-1591
Felipe III 1598-1621
Felipe IV 1621-1640
Os capitães povoadores tinham grandes poderes no começo do século XVII. Não se limitavam ao comando de governos militares, suas atribuições eram tanto de ordem militar como civil. Administravam os povos da sua jurisdição de forma quase absoluta.
Tanto Gabriel de Lara, no litoral, como o Capitão Martins Leme, em Curitiba, exerceram funções políticos-Administrativa e militar, cumulativamente. Ambos tiveram grande influencia e representaram papel saliente na criação das respectivas vilas de Paranaguá e de Curitiba.
Lara não somente foi, durante 36 anos, o condutor do primeiro grupo de povoadores efetivos de Paranaguá, como foi também, o incentivador de núcleos expontâneos de povoamento de Curitiba. Foi o Capitão Gabriel de Lara quem fez levantar pelourinhos - o de Paranaguá em 1646 e o de Curitiba a 4 de novembro de 1668.
Foi ao Capitão povoador, Matheus Martins Leme, que o povo de Curitiba, em 24 de março de 1693, requereu a criação de sua justiça local, em petição por ele deferida, com determinação de que o povo se reunisse cinco dias após, o que se faz a 29 de março de 1693, quando se procedeu a eleição da justiça e dos membros do Conselho, sendo então elevada à categoria de Vila.
Houve duas correntes de povoamento por brancos puros, à seguir a imigração inicial de garimpeiros, na qual predominaram , no planalto: índios, domésticos e mamelucos. A do litoral, conduzida por Gabriel de Lara, composta de descendentes de portugueses e espanhóis anteriormente radicados noutros distritos da capitania e das mesmas procedências regionais e origens étnicas, os que vieram pela Ribeira e pelo sertão da Asungui e penetraram nos campos de Curitiba, trazidos pelo bandeirante Gaspar Carrasco dos Reis e chefiados por Matheus Martins Leme.
Gabriel de Lara, na qualidade de Capitão mor, procurador e sismeiro do Donatário marques de Cáceres, concedeu inúmeras cartas de sesmarias de terras na Capitania de Paranaguá. A primeira, de que temos notícia, é a que concede ao capitão Matheus Martins Leme, uma sesmaria em Curitiba, junto ao Rio Barigüi, nas duas margens.
Paranaguá teve notável evidencia nos seus primeiros tempos devido à suas famigeradas minas de ouro cujo ciclo de movimentação lhe incrementou grandemente o povoamento, atraindo gente de prol portuguesa e espanhola.
GENEALOGIA DOS POVOADORES DO ESTADO DO PARANÁ
GABRIEL DE LARA - Natural de São Paulo, era filho de Diogo de Lara, da alta nobreza de sangue dos Lara, de Zamora, do reino de Castilla. Foi vulto de prestigio, e teve benéfica influência na criação do Povoado curitibano. Seus descendentes foram homens de valor e exerceram, com ele, os honrosos cargos de governança.
MATHEUS MARTINS LEME - Natural de São Paulo, filho de Thomé Martins Bonilha, filho de espanhóis, e de Leonor Leme. Descendente de Castelhanos de nobreza provada, foi vulto de prestígio, e teve benéfica influencia na criação do povoado Curitibano.
A designação dessas duas personagens, descendentes de castelhanos, para povoar o território paranaense, durante o último período da dominação espanhola nas possessões lusitanas, em época que se achava ameaçada a posse portuguesa no Brasil meridional, vem a demonstrar a política avassaladora dos conquistadores espanhóis.
BALTAZAR CARRASCO DOS REIS - Tronco dos Carrasco dos reis, do Paraná, foi celebre bandeirante. Filho de Miguel Garcia Carrasco e Margarida Fernandes. Foi Miguel Garcia um dos signatários da aclamação a Rei do Brasil, em 1641, de Amador Bueno da Ribeira, promovida pelos fidalgos espanhóis.
A origem da família Carrasco, provém do lugar de origem da família em Carrascal - Espanha. A Afinidade de idéias e as intimas relações de amizade desta família com os fidalgos espanhóis que promoveram a aclamação de Amador Bueno em 1640, são provas seguras da descendência espanhola dela.
A EMIGRAÇÃO ESPANHOLA NO ESTADO DO PARANÁ
1910-1920 - Um grande número de espanhóis chegou ao Brasil fugindo da guerra, da fome e da miséria que atingia toda a Europa. Vinham com contratos de trabalho para trabalharem nos cafezais no Estado de São Paulo. Constatou-se que após o término dos contratos, muitas famílias se mudaram para o Estado do Paraná em busca de nova vida. Os espanhóis chegados nessa década eram na sua maioria provenientes das regiões de Andaluzia e Galícia. Ainda hoje existem espanhóis chegados nessa época. A emigração espanhola dessa época não foi considerada significativa para as autoridades brasileiras já que os espanhóis não se reuniam em colônias. Eram independentes e se integravam facilmente ao meio.
1930-1940 - A Espanha passava por um período político muito delicado devido a transição de Monarquia à República e após a guerra civil à uma ditadura. Muitos espanhóis fugiram de sua terra motivados pelo início da guerra civil em 1936. O Brasil não recebeu uma emigração significativa nesta época, pois não aceitava exilados políticos. Os espanhóis que chegaram durante esse período vieram com carta de chamada e por motivos de trabalho.
1950-1960 - Esta foi a maior onda migratória que o Paraná já recebeu. Famílias inteiras vieram tentar nova vida neste Estado, fugindo da instabilidade econômica, falta de trabalho, pobreza e da repressão política devido à ditadura existente na Espanha, a qual durou 40 anos. Vinham das mais diversas regiões espanholas, porém foram os espanhóis provenientes das regiões de Galicia, Andalucia e Catalunha os que imigraram de forma massiva. Estes espanhóis se estabeleceram principalmente na cidade de Curitiba e Londrina.
Os espanhóis que se instalaram na capital, se dedicaram ao comércio, à gastronomia, à construção e profissões liberais. Os espanhóis tem muita tradição no trabalho com pedras e granitos, inúmeros locais da capital tiveram trabalhos importantes realizados com marmoristas espanhóis, como o Palácio do Governo, Biblioteca Pública, tribunal de Contas, Teatro Guaíra, etc.
Na gastronomia, os espanhóis introduziram vários pratos típicos, como os “churros”, “madrileños”, “palmeiras” e “rosquiñas” e a típica “ensaimada”, doce típico da região de Palma de Mallorca.
Também introduziram o gosto pela “paella” prato típico da região de Valência e pela “sangria“, bebida tradicional de toda a Espanha.
Os espanhóis que se instalaram no interior vinham quase sempre para trabalhar na lavoura do café.
Hoje existem 10.000 espanhóis natos no Estado do Paraná. Não se sabe ao certo quantos descendentes existem, porém sabemos que em quase todas as famílias curitibanas e paranaenses existem um avó ou um bisavô espanhol.